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Médica em Construção

Época de exames e as saudades do hospital

Estes dias têm sido passados em casa, na companhia dos resumos, dos powerpoints, e de uma playlist no Spotify que toca repetidamente na televisão da sala. Falta inspiração para escrever. 

Sinto falta do hospital. Da movimentação dos corredores, da bata que me fica grande, e do estetoscópio que teima em escorregar do meu pescoço inexperiente. É lá que me sinto bem, que me sinto com propósito. 

A única motivação que me guia nesta época de exames é saber que um estágio de verão me espera, assim como um próximo ano letivo em que todas as aulas se passam no Hospital. Não poderia pedir melhor.

Se vos interessa acompanhar a minha experiência no estágio, sigam-me no instagram: lá falarei mais sobre o assunto quando a época chegar :)

 

Vocês são lindas como os amores

Disse a senhora de cabelos brancos, com um sorriso de admiração no olhar.

E agarrava com carinho as nossas mãos, acariciava o nosso rosto. Falava como uma criança, e acredito que, em sua consciência, se considerasse uma.

Afirmou espalhar alegria na enfermaria, e não desconfiei, considerando que todos os profissionais de saúde que por ela passavam lhe atiravam beijos e palavras de amor.

Talvez nem tivesse consciência da doença. Mas que importa? Irradiava empatia, carinho, e a energia de quem espalhou afeto durante toda a sua vida. Num mundo de tristezas e tragédias, de desrespeitos e inimizades, é refrescante.

É a beleza do hospital. Conhecemos tantas personalidades, e em todas encontramos algo para admirar.

O senhor da cama quatro

Era como o meu avô.

Tinha um cuidado especial com as palavras, e uma atenção ao detalhe excecional ao contar histórias.

Falou-nos do carbúnculo, da sua aldeia, e da vida que levou. Procurava em nós uns ouvidos dispostos a escutar os tramas, as suas paixões, e a forma poética como sempre encarou a vida.

“A vida tem destes romances” dizia ele. E foi aí que descobri a alma de artista que nem o tempo nem a doença conseguiram escurecer ou apagar.

E é isto que amo naquilo que faço. Não só conhecer as doenças, mas principalmente conhecer as pessoas. As pessoas que não deixam de ser pessoas por se encontrarem numa enfermaria, e que não se deixam condenar por uma doença.

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