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Médica em Construção

Vocês são lindas como os amores

Disse a senhora de cabelos brancos, com um sorriso de admiração no olhar.

E agarrava com carinho as nossas mãos, acariciava o nosso rosto. Falava como uma criança, e acredito que, em sua consciência, se considerasse uma.

Afirmou espalhar alegria na enfermaria, e não desconfiei, considerando que todos os profissionais de saúde que por ela passavam lhe atiravam beijos e palavras de amor.

Talvez nem tivesse consciência da doença. Mas que importa? Irradiava empatia, carinho, e a energia de quem espalhou afeto durante toda a sua vida. Num mundo de tristezas e tragédias, de desrespeitos e inimizades, é refrescante.

É a beleza do hospital. Conhecemos tantas personalidades, e em todas encontramos algo para admirar.

O senhor da cama quatro

Era como o meu avô.

Tinha um cuidado especial com as palavras, e uma atenção ao detalhe excecional ao contar histórias.

Falou-nos do carbúnculo, da sua aldeia, e da vida que levou. Procurava em nós uns ouvidos dispostos a escutar os tramas, as suas paixões, e a forma poética como sempre encarou a vida.

“A vida tem destes romances” dizia ele. E foi aí que descobri a alma de artista que nem o tempo nem a doença conseguiram escurecer ou apagar.

E é isto que amo naquilo que faço. Não só conhecer as doenças, mas principalmente conhecer as pessoas. As pessoas que não deixam de ser pessoas por se encontrarem numa enfermaria, e que não se deixam condenar por uma doença.

Dia Mundial do Lúpus - 10 de maio

Ontem foi o dia mundial do lúpus, e não poderia deixar de falar desta doença, não só pela importância que tem para mim, mas também pelo impacto que tem na vida das 5 milhões de pessoas que lidam com a mesma por todo o mundo.

Para quem não conhece, lúpus é uma doença que leva a uma resposta inflamatória contra os tecidos do doente, ou seja, uma doença auto-imune. 90% dos afetados são do sexo feminino e em idade fértil. Os sintomas mais comuns são a fadiga, dores articulares, febre inexplicável, e o tão típico vermelhão na face em forma de borboleta; e é por mimetizar tantas outras doenças que é de tão difícil diagnóstico. Além disto, pode afetar diversos órgãos e sistemas do nosso corpo, como a pele, as articulações, os rins, os pulmões, o coração, e até o sistema nervoso.

A minha jornada com o lúpus começou muito cedo. Numa noite, apenas com 4 anos, vi uma nódoa negra numa perna que me levou às urgências hospitalares. Nessa altura, fui diagnosticada com púrpura trombocitopenica idiopática - uma doença auto-imune que leva à destruição das minhas plaquetas sanguíneas (as responsáveis por formar um “tampão” e interromper o fluxo sanguíneo quando há alguma lesão). Desde então, fui seguida em consultas de rotina. Como cresci com este problema, nunca senti que me limitasse: aliás, não me lembro de viver sem ele. Apenas tinha de ter mais cuidado a brincar, para garantir que não me magoava.

Passado uns anos, comecei a ter algumas dores nas articulações, que colocaram a minha médica em alerta. Com alguns exames, foi fácil de entender que tinha, ou viria a desenvolver, lúpus. Com 10 anos de idade, não entendia grande coisa, muito menos as implicações deste diagnóstico. Porém, à medida que fui crescendo, fui me apercebendo da forma como esta doença podia afetar a minha qualidade de vida.

Nunca tive grandes complicações nem grandes sintomas. Apesar disso, ainda na escola, receei muito pelo futuro. Cada consulta médica era uma tortura: pensava sempre que seria daquela vez que receberia más notícias. É a incerteza que assusta. E quanto mais aprendi sobre a doença, mais atenta fiquei aos sintomas e, consequentemente, mais preocupada. Seria na próxima consulta que descobriria que teria de aumentar a medicação? Ou de fazer uma biópsia renal?

No entanto, o tempo e a maturidade ajudam. São os nossos melhores amigos. Apesar da sorte de ser diagnosticada cedo, e da ausência de sintomas e crises, tive de aprender a lidar mais tarde com a doença e, acima de tudo, com todo o stress e problemas que traz para a nossa vida.

Semana académica 2022

É me difícil descrever em palavras a intensidade com que vivi esta semana académica. Desde a serenata, até ao iconico concerto do Quim Barreiros! E por ser a primeira de muitas, adoraria partilhar esta experiência com vocês.

A semana começou com a serenata. Não foi a primeira vez que trajei, mas senti-a como se fosse, pelo bem e pelo mal. Apesar da confusão, dos colegas que pouco respeitam a ocasião, e a dor insuportável que senti nos pés, foi memorável. Não, não consegui ouvir as palavras da música porque havia quem não respeitasse o silêncio. E pela minha altura, pouco vi para o palco. Mas não importa. Não importa porque estava com alguém especial, e isso era algo que, em 2019, tanto pedi para que acontecesse, e para mim a serenata é sobre isso; é sobre com quem a partilhamos.

Já na terça-feita foi o cortejo, cuja expectativa me tirou o sono. Trajada (belo erro), esperei horas e horas com os meus colegas ao sol, enquanto cantávamos as músicas da nossa casa e procurávamos um local para nos sentarmos. Imagino que seja um momento muito importante para os finalistas; mas as condições em que o vivi tornaram-no cansativo: era o calor, a dor, o cansaço! Nota para o próximo ano: nada de trajes, e levar sprays com água!

Já na mesma noite, fui pela primeira vez ao queimódromo! Não deixei que o cansaço do cortejo me vencesse! Apesar de tudo, dancei, saltei, e mais importante, diverti-me com aqueles que mais gosto por perto.

Parece que tudo se complicou a meio da semana, quando os bilhetes começaram a esgotar. Na sexta-feira, tive de enfrentar a minha claustrofobia para entrar no recinto, tendo em conta a fila exageradamente grande e desorganizada à entrada. Nunca me senti tanto uma sardinha enlatada. Era empurrão à frente, atrás, e só rezava para poder chegar ao interior sem nenhum arranhão. Vi várias pessoas no chão, já quase inconscientes pelo álcool, e muito, mas muito, exagero. Sentir-me-ia até algo desenquadrada, se não fosse a companhia do meu namorado!

E vocês? Como viveram esta ou todas as outras semanas académicas da vossa vida?

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