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Médica em Construção

E como anda a vida?

Sinto que tem acontecido tanta coisa mas, simultaneamente, tão pouca. Não sei se é apenas por viver o mundano com maior intensidade, ou simplesmente por me contentar com pouco, mas a verdade é que nunca me senti tão bem. Tão realizada.

Sempre que entro no Hospital, ganho consciência que realmente é aquilo que quero fazer para o resto da minha vida. É como se a vida lá fora desaparecesse. Adoro os corredores, o desafio das colheitas, dos diagnósticos, os sorrisos dos pacientes ao falar dos seus netos ou do gatinho que os espera em casa. Adoro pessoas, o corpo humano, o carinho que vejo em tantos profissionais de saúde. E é assim que me apercebo da realidade: escolhe um trabalho que gostes e não terás de trabalhar nem um dia na tua vida.

Por outro lado, espero ansiosamente a queima das fitas, a minha primeira! Sonhei durante muito tempo com a serenata, o cortejo, as noites longas com os colegas e amigos que me acompanham nesta jornada. Sonhei durante tanto tempo com o sorriso emocionado do meu avô e da minha mãe ao me verem trajada. Sonhei até com as bolhas que ganharei nos pés ao caminhar nos sapatos do traje!

E assim, num instante, já vejo à distância o final de mais um ano, certamente um dos anos mais desafiantes da minha vida. Com altos e baixos, felicidades e tristezas, a vida não parou, e encaminhou-me para este momento.

E que momento.

Viver num mundo com germes

Não é a primeira vez que menciono aqui o meu problema e a minha ansiedade relativamente às doenças. É até irónico para uma futura médica, mas a realidade é que um dos meus grandes medos são as infeções.

Não se enganem, esta minha pequena obsessão já existia antes da covid, mas tudo agravou severamente com o surgimento de uma pandemia. De repente, fiquei hiperconsciente de todos os lugares onde toquei com o medo de, por azar, levar uma partícula de vírus para casa e infetar toda a gente. Se toco numa maçaneta, já não toco no telemóvel sem antes desinfetar as mãos porque este iria ficar infetado, e depois em casa ia usar o telemóvel e contaminar todas as superfícies com o bicho. Se toquei nos sapatos ao calçar-me tenho de desinfetar as mãos porque sabe-se lá onde andei e o que pode estar lá. Penso que esta situação nos tornou a todos mais preocupados com coisas que antes nem pensávamos! Parece impensável entrar num Hospital sem máscara mas, antes de toda esta confusão, era difícil encontrar alguém com uma.

Como fui ensinada pela vida, tudo tem um lado positivo, e se recear infeções é algo causador de ansiedade na minha área, é igualmente protetor. Ainda este ano tive aulas de microbiologia, onde aprendi relativamente a dezenas de microrganismos causadores de doença. Na verdade, o uso irracional dos antibióticos causou um aumento brutal do número de microrganismos resistentes: há até alas no hospital reservadas a doentes com estas infeções. Ter esta consciência leva-me a ter mais cuidado, não só comigo como também com os pacientes com quem lido. É fundamental desinfetar sempre as mãos antes e depois de realizar algum exame, já para não falar da desinfeção do estetoscópio! Há várias outras regras de higiene que devem ser cumpridas: permanecer sempre com as unhas curtas, sem verniz, apertar a bata, entre outras!

E vocês? São germofóbicos? Quais são as medidas que tomam para prevenirem as infeções?

O problema do Dr. Google - cibercondria

É fantástico termos informação na ponta dos nossos dedos. Com apenas um clique, acedemos a milhares de websites que nos ajudam a ser pessoas mais informadas, algo que no passado era impensável. E isto aplica-se a tudo: notícias, ciência, política, e também saúde.

Não me interpretem mal, é muito vantajoso! Há a partilha e o incentivo de comportamentos saudáveis, dos benefícios e malefícios de certos alimentos, medicações, e entre muitas mais coisas. É um universo!

O problema começa quando se utiliza a internet para avaliar sintomas e fazer autodiagnósticos. Todos nós, em algum momento da nossa vida, pesquisamos algum sintoma (como uma simples dor de cabeça), e ficamos aterrorizados com os possíveis diagnósticos que o Dr. Google propõe. É um meningite, um abcesso cerebral, um tumor! Este é um comportamento que induz ansiedade e que, muitas vezes, se torna compulsivo.

Assim, foi definido o termo cibercondria: trata-se de uma pesquisa repetida sobre assuntos relacionados com a saúde que estão associados a um aumento da hipocondria (preocupação geral relativamente às doenças). Apesar da ansiedade e perturbação que estas pesquisas trazem, o indivíduo continua compulsivamente a fazê-las. Isto é especialmente relevante em indivíduos que já apresentem um quadro de hipocondria.

Além disto, é já muito comentado pelos médicos que muitos pacientes chegam à consulta com o diagnóstico feito, procurando apenas a medicação ou exames.

É importante relembrar que apenas um médico pode fazer um diagnóstico - o google, por muita informação relevante que nos dê, não substitui todos os anos de estudo de um profissional de saúde. É necessário ter pensamento crítico, experiência e exames de diagnóstico, algo que um site na internet não nos consegue oferecer. É de acrescentar que estes indivíduos acabam muitas vezes em sites pouco fidedignos, que até lhes sugerem curas e tratamentos falsos e enganadores.

O que pensam relativamente a este tópico?

Costumam pesquisar os vossos sintomas na internet?

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