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Médica em Construção

Praxe: devo ir?

Creio que as praxes serão sempre um assunto controverso da vida universitária. Cada um tem o seu ponto de vista, e enquanto alguns acreditam que não passam de momentos de humilhação, outros afirmam ser uma forma de inclusão dos novos estudantes. Ignorando os exageros de alguns casos mediáticos, vou expor a minha opinião sobre o assunto.

Talvez digam que não tenho lugar de fala por nunca ter participado. Apesar de ser verdade, não estou completamente alheia ao assunto, e ouvi vários relatos de colegas que tanto me fizeram sentir agradecida pela minha decisão como arrependida.

Devo mencionar que, quando entrei na Faculdade, estava muito recetiva à ideia. É uma experiência que se vive apenas uma vez, e não queria deixá-la de parte. Porém, logo no primeiro dia de aulas, rapidamente mudei de opinião quando me foi pedido para faltar a uma aula. Talvez se fosse hoje, fá-lo-ia. Naquela altura, recém-chegada, não sabia ainda o que era ou não apropriado, e deixei a experiência de lado. A verdade é que a maioria das pessoas na minha faculdade são contra a praxe e, por isso, não posso dizer que me senti excluída ou pressionada devido à minha decisão: existem vários outros grupos onde é possível conhecer os novos colegas e fazer amizades.

Posso dizer que ouvi de tudo. Ouvi colegas que se queixaram e desistiram na primeira semana, como outros que amaram e permaneceram até hoje. Estes últimos sempre mencionam que formaram amizades muito fortes, e que a sua vida universitária teria sido completamente diferente sem a experiência.

Acho que o que podemos concluir é que não há uma resposta certa ou errada. Tudo depende da faculdade, das pessoas com quem nos cruzamos e, acima de tudo, de nós próprios. Não tenham medo da vossa decisão, seja esta participar ou não, porque a universidade é muito mais que as suas tradições.

 

Ai, ser caloira...

Foi em 2019 que entrei em Medicina.

Não vou mentir, os primeiros três meses foram incríveis. Vi-me finalmente num ambiente com o qual me identificava, com colegas com os mesmos interesses e projetos que eu, e com múltiplas possibilidades. Sinto que as circunstâncias me obrigaram a crescer de várias formas: tive de sair da minha bolha e comunicar para fazer novas amizades, tive de ultrapassar o meu medo de falar em público com apresentações orais semanais em Anatomia, e tive de perder o medo de falhar.

Sim, porque se estão à espera de ter dezoitos e vintes, não vai acontecer. Pelo menos no primeiro ano. A quantidade de informação que temos de interiorizar para um exame é superior a toda a matéria do secundário, e é um grande choque. Temos mais matéria do que tempo para estudá-la, e é aí que entra o saber como estudar.

Gostaria de dizer que gostei das unidades curriculares do primeiro ano, mas as únicas que realmente me interessaram foram a Anatomia e Histologia, pelo simples facto de serem as mais próximas com as ciências humanas. Não é que não goste de biologia, ou química, mas tinha pressa de conhecer mais sobre o assunto pelo qual me candidatei.

Apesar de tudo, senti que o primeiro ano foi um ano em que tudo se memorizava. Não há uma lógica em anatomia, nem em qualquer outra cadeira. Temos de memorizar nomes, posições, imagens. Tudo parece igual, ou parecido. Não é fácil.

Porém, se tudo já era complicado, ainda mais se complicou quando o nosso querido amigo Covid-19 se juntou à festa. As aulas passaram a ser todas online, e por muito que os professores se esforçassem para compensar a falta das aulas práticas, era muito difícil. Como se aprende em anatomia sem ver os modelos reais? Como se replica uma aula laboratorial por Zoom? E aqui sim, senti-me ir abaixo. Já não suportava estar sozinha, fechada entre 4 paredes, a estudar para exames que nem pareciam reais.

Apesar de tudo, foi um ano de descobertas, e não seria a mesma se não tivesse sido da forma como foi.

E vocês? Como foi a vossa experiência no primeiro ano da faculdade? Como lidaram com o Covid-19?

Síndrome do estudante de medicina

Vocês já ouviram falar da síndrome do estudante de medicina? Esta afeta estudantes de medicina pouco experientes, que desenvolvem um medo patológico de contrair as doenças que estudam. São mais comuns em estudantes que já tenham alguma predisposição para ansiedade e medos irracionais, mas podem afetar qualquer um.

Este quadro pode-se manifestar como nosofobia ou hipocondria. Nosofobia é o medo irracional de ter uma doença específica, mesmo sem sintomas que sugiram a sua presença. Já na hipocondria há uma má interpretação de sinais corporais, que leva o doente a acreditar que simples sintomas indicam que sofre de uma doença grave.

O grande problema é o conhecimento: conhecer os sintomas, as consequências, o prognóstico. Conhecer a doença ao pormenor dá-lhe vida. Não é necessário pesquisar no Doutor Google para recear, mas sim apenas assistir a aulas ou até estudar para um exame.

E é claro que eu não podia ser a exceção.

Demoraria horas se descrevesse neste post todos os medos e todas as doenças que pensei e receei ter. Acho que os detalhes não são realmente o importante, mas sim o impacto destes medos na minha vida, que se transformaram em noites mal dormidas, ataques de ansiedade e várias idas ao médico e às urgências. O mais frustrante é saber que tudo é irracional e ilógico, mas, mesmo assim, não conseguir afastar o sentimento persistente de que havia algo de errado. Enfim, é um ciclo difícil de quebrar, que inevitavelmente afetou a minha felicidade e o meu rendimento escolar.

Não obstante, não posso dizer que esta experiência foi apenas negativa. É sempre possível retirar lições e aprendizados mesmo das situações mais incómodas. Por um lado, sinto que me compreendo melhor, principalmente devido ao acompanhamento que tive para superar este percalço. Isto ensinou-me a desvalorizar outras situações que no passado me causavam tanta ansiedade e medo e que, agora, me parecem insignificantes (claro, pensar que temos várias doenças mortais durante meio ano afeta a forma como vemos o mundo!). Por outro lado, sinto também mais empatia para com os doentes com que me cruzo, pois entendo não só a doença mas também as implicações que esta tem nas suas vidas.

E vocês, já tiveram algum medo irracional?

Beijinhos e até ao próximo post!

Época de exames complicada

Este texto é para todos que terminaram os exames do primeiro semestre e se sentem desmotivados. Para todos os habituados aos dezoitos e vintes. Para aqueles que tanto estudaram, mas os resultados não corresponderam a tanto esforço. Não são os únicos.

Lembro-me perfeitamente da minha primeira época de exames na faculdade. Pela primeira vez, entrava num teste sem me sentir preparada, sem ter estudado toda a matéria ou ter feito todos os exercícios. É um sentimento comum, principalmente na passagem do secundário para o ensino superior. A exigência é maior, e a quantidade de informação ultrapassa tudo aquilo que alguma vez vimos.

Estudamos tanto, mais do que nunca, e a classificação que surge na pauta não corresponde a todo o nosso trabalho e dedicação. É natural, e mais natural ainda é o sentimento de frustração que inevitavelmente surge. Começamos a duvidar das nossas capacidades, e até se merecemos estar onde estamos.

Mas tudo isso passa, não só pela experiência, que nos ensina a estudar de forma mais eficiente, como também pela forma como passamos a encarar as classificações. Não temos menos valor por ter uma nota mais baixa. E é fundamental mudar a perspectiva para salvaguardar a nossa saúde mental durante o curso.

Tenho de admitir que este semestre não me correu como esperava. Tive alguns problemas pessoais que me impediram de focar como quereria, e isso refletiu-se nas minhas classificações finais. Se foi difícil lidar? Foi. Não vou mentir e dizer que o aceitei sem problemas. É um sentimento agridoce: por um lado sei que fiz o correto, porque dei prioridade à minha saúde mental; por outro lado, sinto-me quase que derrotada pelas circunstâncias. Consegue ser frustrante saber que poderíamos ter feito mais, principalmente quando, durante muito tempo, a base da nossa autoestima é o sucesso académico. 

Mas mais exames virão, e não faltarão oportunidades para mostrar aquilo que valemos!

Beijinhos e até ao próximo post!

Bem-vindos!

Bem-vindos ao “Médica em Construção”! Chamo-me Maria João, tenho 20 anos e sou estudante de Medicina.

Não há muitos blogs que falem abertamente da experiência em Medicina. Quando era mais nova, encarava o curso como um mistério, como uma incógnita que apenas se esclareceu quando finalmente a minha ambição se tornou uma realidade. Não sabia qual o grau de dificuldade das diferentes matérias, nem como as estudar. Não sabia o que esperar dos exames, dos colegas, nem da importância da saúde mental num local tão exigente.

Por esse motivo, criei este espaço para partilhar a minha experiência no curso, que ainda só vai pela metade. Desejo ainda falar de métodos de estudo, dicas de organização e cuidados com a saúde mental, que não se aplicam apenas à Medicina mas também a todos os estudantes de qualquer idade.

Medicina é um curso de 6 anos, em que os 3 primeiros são de ciências básicas da saúde (focados em disciplinas como anatomia, fisiologia, biologia, química,..) e os 3 últimos são os anos clínicos, onde já temos um contacto direto com os doentes no Hospital. Estou atualmente a terminar o primeiro semestre do terceiro ano, considerado em muitas faculdades o ano "barreira", logo tenho montes de experiências, histórias e dicas para partilhar com vocês.

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Beijinhos virtuais! 😊

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